“He is the Special One”

Foto: Agência AFP



Por Matheus Eduardo. No twitter: @matheusesouza.

Jogado pelos estádios de Portugal afora, quem diria que José Mourinho se tornaria um treinador tão especial 30 anos atrás? Abaixo da média em sua carreira como jogador profissional, o hoje técnico passou por clubes médios e fracos de Portugal até anunciar sua aposentadoria, aos 24 anos, após ter jogado apenas sete anos no futebol profissional. Ex-volante, o manager de 50 anos viria a ter seus momentos de glória dentro de campo, mas fora das quatro linhas.

De treinador abaixo da média no Benfica a ídolo do arquirrival Porto

Em 23 de setembro de 2000, Mourinho teve sua primeira oportunidade como treinador, e de cara no poderoso Benfica, tendo também o peso de substituir o grande treinador Juup Heynckes, hoje no Bayern de Munique. Com tanto peso e responsabilidade nas costas, o até então iniciante Mou não hesitou e conquistou a torcida. Contudo, houve uma eleição para saber quem seria o novo presidente do clube, e com a eleição de Manuel Vilarinho, o até então técnico do Benfica dançou.

Com boa fama no cenário internacional após ter trabalhado no Sporting e no Barcelona antes de virar treinador, Mourinho teria uma boa temporada comandando o União de Leiria, ajudando a equipe a chegar à antiga Copa Intertoto da UEFA, ao atingir a sétima colocação da Liga Portuguesa em 2001/02.

Após uma boa parte da temporada no modesto clube português, Mourinho chamou a atenção do Porto, e mal sabiam ambos o quanto esta combinação daria certo. No clube azul e branco, José Mourinho chegou à terceira colocação no nacional ao fim da temporada 2001/02. No ano seguinte, Mourinho fatura a tríplice coroa com o Porto, após sofrer apenas 2 derrotas no Campeonato Português, vencer a Copa nacional sobre o seu antigo clube, o União de Leiria e ser campeão da atual UEFA Europa League sobre o Celtic.

José Mourinho no Porto, clube que o "moldou" para o futebol. Foto: Daily Mail (site)


Veio a temporada seguinte, e com ela a consagração. Influente, de forte temperamento e inteligente, Mourinho leva o Porto ao título da UEFA Champions League de 2003/04, eliminando Manchester United, Lyon e Deportivo La Coruña, respectivamente e derrotando o Mônaco na final por 3 a 0.

Todo bom trabalho é recompensado. Mourinho se muda para a Premier League

Mourinho e Frank Lampard pelo Chelsea.


Cobiçado por muitos clubes, Mourinho acaba por ser contratado pelo Chelsea, que há pouco tempo tinha sido adquirido pelo milionário Roman Abramovich. Submetido a tal desafio, o Special One não hesitou, e levou consigo jogadores importantes para o clube inglês, entre eles Didier Drogba, Arjen Robben e Ricardo Carvalho, que viriam a ser muito idolatrados pelo torcedor blue. Diferentemente do que se imaginava, Mourinho se dá bem logo de cara ao faturar a Copa da Liga sobre o Liverpool pelo placar de 3 a 2, e meses depois vence a Premier League, tirando o Chelsea da “fila” após 50 anos.

Com mais um título da Premier League em 2005/06, Mourinho não conseguiu trazer o cobiçado título da Champions League para os azuis de Londres, sendo eliminado pelo Barcelona de Ronaldinho Gaúcho nas quartas-de-final, esta mesma equipe viria a ser campeã sobre o Arsenal. Em 20 de setembro de 2007, após muitas glórias com o Chelsea, Mourinho rescinde seu contrato e é sucedido por Avram Grant.

Chegada à Itália e segundo título da Champions League

Com total confiança de Massimo Moratti, Mourinho chega à Internazionale com pinta de estrela, e não decepcionou, vencendo a Liga Italiana logo de cara, assim como a Supercopa Italiana. Na temporada seguinte, Mourinho viria a colocar a Inter como um dos grandes times do mundo ao faturar a tríplice coroa: Serie A, Coppa Italia e UEFA Champions League conquistadas na mesma temporada, após duas grandes partidas contra o Barcelona nas semifinais da última competição citada. Novamente assediado por gigantes da Europa, o Special One deixa Milão com a missão cumprida.

Próxima parada: Madrid

Muito badalado desde a sua chegada, José Mourinho chegou no Real Madrid aumentando a crença da torcida no décimo título da Champions League, além de recuperar os títulos perdidos pela equipe em grande momento do arquirrival Barcelona, que na época era comandado por Josep Guardiola. De início, rendeu aquém do esperado, ao ser eliminado nas oitavas-de-final da competição da UEFA pelo Lyon e perder a Liga para o Barça. Contudo, nem tudo foi ruim, e os merengues venceram a Copa do Rey com gol de Cristiano Ronaldo na prorrogação contra o Barcelona, isto na época que tivemos quatro clássicos consecutivos entre as duas equipes.

Veio a temporada seguinte, e se confirmou o que o treinador, e agora manager do Real Madrid fazia. Com atuações abaixo do esperado, Kaká se torna um reserva na equipe comandada por ele, criando assim certa antipatia de alguns fãs sobre ele, além de falta de títulos. Contudo, Mourinho conseguiu fazer o time dar liga e vencer o Campeonato Espanhol com 100 pontos, além de ter marcado quase 100 gols com o trio de ataque Cristiano Ronaldo (46), Gonzalo Higuaín (22) e Karim Benzema (21). Além disso, quase deu certo o sonho da Champions, sendo eliminado nas semifinais para o Bayern de Munique, que viria a ser o vice-campeão. Na Copa do Rey e na Supercopa, viu sua equipe ser derrotada pelo Barcelona.

José Mourinho e Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid. Foto: Gazeta Esportiva (site)

Uma nova temporada e um novo problema a se enfrentar

Veio a temporada atual (2012/13) e com ela uma enorme pressão da torcida com o mesmo sobre o título da Champions League, e além disto a equipe começou mal o Campeonato Espanhol também devido a problemas internos do técnico com o presidente e certos jogadores, segundo várias fontes. Além de Kaká, Sergio Ramos e Casillas entraram em problemas relacionados ao manager, e tudo isso se refletiu no desempenho da equipe em campo, fazendo com que a mesma estivesse 13 pontos atrás do arquirrival Barcelona no campeonato nacional. Vale ressaltar que o mesmo Real Madrid bateu o Barcelona na Supercopa espanhola, após a falha na temporada anterior.

Passando por um problema até então inédito, Mourinho precisou passar por cima de tudo isso e fazer uma boa campanha na fase de grupos da Champions League, que foi bastante complicada para testá-lo. Manchester City, Borussia Dortmund e Ajax estavam no mesmo grupo que os madridistas, e era uma grande chance para Mourinho mostrar sua competência, e o mesmo não decepcionou ao se classificar, mesmo que em segundo lugar para as oitavas-de-final da competição.

Depois da tempestade, vem a bonança

Após a maré ruim passar, Mourinho conseguiu trazer o bom momento ao time e comandou seus jogadores em duas vitórias sobre o arquirrival Barcelona, uma pela Copa do Rey, eliminando-os, e outra na Liga Espanhola, revigorando seus jogadores para o confronto contra o Manchester United, a forte equipe que havia arrancado um empate no Bernabeu por 1 a 1. Precisando fazer gols, o Real Madrid não decepcionou e venceu os Red Devils dentro de Old Trafford, com direito a gol de Cristiano Ronaldo para virar a partida, terminada em 2 a 1 para os espanhóis.

De fragilizado a forte candidato ao título da “Champions”, José Mourinho novamente tem um importante papel nesta campanha e mais uma vez mostra por que é tão importante em todos os clubes por onde passou, justificando a alcunha de “Special One”.

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