Lampejos, glórias e lesões: Michael Owen e sua “carreira interrompida”

(Foto: Metro/Reprodução)


Por Matheus Eduardo, @matheusesouza.

Se hoje a Inglaterra está entre as melhores nações do mundo, ao menos futebolisticamente falando, podemos creditar pequena parte disto a Michael Owen, que viria a ser ao mesmo tempo uma promessa e uma afirmação, mas isto explicarei durante a postagem.

Filho do ex-jogador do Everton, Terry Owen, Michael jogava bola frequentemente com seu pai e também na escola, e mal sabia o garoto do tamanho de seu potencial, tampouco de seu futuro. Aos 16 anos, após cobiça de Chelsea, Manchester United e Arsenal, quem acertou com o jovem foi o Liverpool, e logo aos dezessete anos fez com que o promissor atacante assinasse contrato com os mesmos.

Sucesso precoce. Consequência? Enorme expectativa desde cedo no jovem atacante

Logo em 1997, Owen fazia a sua estreia com a camisa dos Reds frente ao Wimbledon, entrando no segundo tempo e deixando sua marca, para a surpresa de muitos que acompanhavam o Liverpool e o futebol inglês àquela época. O sucesso precoce fez com que o mesmo fosse uma promessa do futebol desde a sua estreia, fazendo com o que o mesmo fosse convocado para o English Team em 1998. Diferentemente do que se imaginava, novamente Owen não sentiu o peso da camisa e ficou famoso mundialmente, principalmente com um fantástico gol contra a Argentina, arrancando desde o meio-campo, e logo em seguida conseguindo passar de dois marcadores até empurrar a bola pra o gol, uma pena a eliminação inglesa naquele ano.

O sucesso não acabava, e em 2001 veio o que talvez seja seu melhor momento na carreira até hoje. Após uma bela temporada com o Liverpool, com títulos da FA Cup e da atual Europa League, o craque inglês ganhou o Ballon d’Or, que hoje fora unificado ao prêmio da FIFA para o melhor jogador do mundo, antes dado ao melhor jogador dos clubes europeus.


Com a camisa 10 do Liverpool, Owen já chegou a ser eleito como melhor jogador do mundo, em 2001 


A ambição fala mais alto, e Owen se torna um “galático”

Imagine você trabalhando em uma empresa, tendo um alto rendimento, sendo promovido, porém esta empresa não lucrava como se imaginava. O que você faria? Colocaria tudo a perder mandando o seu currículo para empresas mais ricas e mais influentes ou seguiria seu trabalho em uma empresa de menor influência e poder monetário? Pois bem, no caso do futebol foi mais ou menos esta a questão que passou pela cabeça de Owen ao se transferir do Liverpool para o Real Madrid por £8 milhões em busca de um título de maior expressão, colocando tudo a perder, principalmente por estar em uma liga diferente, e principalmente, em um grupo diferente.

Michael Owen deixou Liverpool rumo a Madrid em 2004, sabendo que poderia ter conseqüências ótimas ou péssimos resultados com a sua transferência, e o que aconteceu pode fazer com que você, leitor mude sua opinião sobre a pergunta feita no parágrafo anterior. Ainda que fazendo parte dos Galáticos, junto a Ronaldo, Beckham, Zidane, Robinho e Roberto Carlos, por exemplo, o atacante inglês não emplacou e teve apenas um momento de lampejo, ao marcar na vitória por 4 a 2 sobre o rival Barcelona. Ironicamente o título da UEFA Champions League daquela temporada fora vencido pelo Liverpool, seu ex-clube, que Owen deixara buscando um título continental em um clube maior (leia-se mais forte).


Owen e Ronaldo, enquanto o inglês defendeu o Real Madrid. Uma passagem não muito brilhante na carreira de um jogador com potencial brilhante


O tiro saiu pela culatra e Owen recomeça do zero no Newcastle

Após pífia passagem pelo Real Madrid, Owen voltou para a Inglaterra com uma mão na frente e outra atrás. Obviamente não era na maneira financeira, mas sim profissionalmente falando, e mesmo com interesse do Liverpool, o atacante optou pelo Newcastle, e colecionando atuações medianas e boas, se manteve no clube, mesmo com as lesões que o acompanharam até se transferir para o Manchester United, em 2009. Com isto, o leitor pode se perguntar: o que o Owen conseguiu pelo Newcastle? O máximo que ele conseguiu foi ser o jogador-capa do jogo PES 2008, não mais do que isso.

Manchester United e Stoke City: mais decepções para a coleção

Àquela época desacreditado por muitos, Owen foi apresentado com a camisa 7 dos Red Devils, anteriormente usada pelo astro português Cristiano Ronaldo, que acabara de se transferir para o Real Madrid, que ironicamente foi o outro clube em que Owen não se firmou. Como já era de se imaginar, a promessa Owen, que se afirmou entre 1998 e 2004, voltou a ser uma “eterna promessa” e não deslanchou na equipe mancuniana. Resultado? Mais tempo machucado do que em campo, e o atacante não deixou saudades em Manchester, tampouco no Stoke City, time em que o mesmo foi apresentado ás pressas na atual temporada, recebeu a camisa 10, mas quase não jogou, e anunciou o fim de sua carreira, inicialmente brilhante, e que em seu decorrer se tornou trágica. Que a história de Owen sirva de exemplo para muitos que estão fazendo suas escolhas no mundo futebolístico de hoje.

Números de Michael Owen

1997-2004 Liverpool FC: 297 jogos, 158 gols
2004-2005 Real Madrid: 45 jogos, 16 gols
2005-2009 Newcastle United: 79 jogos, 30 gols
2009-2012 Manchester United: 52 jogos, 17 gols
2012-2013 Stoke City: 7 jogos, 1 gol

1998-2008 English Team: 89 jogos, 40 gols

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