Por Matheus Eduardo. No Twitter: @matheusesouza.
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| Após terceira final em quatro anos, Bayern conseguiu levantar o troféu da UEFA Champions League pela quinta vez na história (Foto: Bundesliga/Reprodução) |
Nos últimos três anos, o Bayern de Munique tem aparecido cada vez mais no cenário internacional, lembrando até elencos de outros anos da equipe bávara. Em 2010, o time de Louis van Gaal teve bom desempenho em todas as competições disputadas jogando no 4-4-2, que às vezes variava para o 4-3-3, ou até mesmo para o 4-2-4 como foi visto na final da UEFA Champions League da temporada 2009/10, quando o clube da Baviera foi derrotado pelos italianos da Internazionale comandados por José Mourinho pelo placar de 2 a 0, com dois gols de Diego Milito. Contudo, a mesma temporada teve o Bayern como campeão da Bundesliga e da DFB Pokal, os dois campeonatos mais importantes da Alemanha.
A temporada seguinte foi mais complicada para o time de Munique. Contudo, o estilo de jogo se alterou, e a aparição do 4-2-3-1 durante a temporada foi notória, agora tendo como grandes peças o volante Luiz Gustavo e meio-campista Toni Kroos, porém nem mesmo as novidades evitaram o baixo rendimento durante a temporada 2010/11, que teve como "título" apenas a Supercopa Alemã, vencida sobre o Schalke 04, mesmo clube que tiraria o Bayern da copa nacional. No campeonato alemão, os bávaros viram o Borussia Dortmund levantar a taça, e na UEFA Champions League, mais uma vez caíram frente à Internazionale. Entretanto, van Gaal apenas rascunhou o Bayern que ganharia o mundo dois anos depois com Juup Heynckes.
Chegada de Heynckes, revolução tática e vice-campeonatos
Chegou a temporada 2011/12, e com ela uma grande mudança para as próximas duas temporadas. Para reconquistar títulos, a diretoria acerta a contratação do técnico Juup Heynckes, que já havia trabalhado em grandes clubes como Benfica e Real Madrid. Com a chegada do experiente treinador, o esquema tático do time muda de maneira definitiva para o 4-2-3-1, buscando assim explorar ainda mais o poder dos dois jogadores pelos lados do campo, Arjen Robben e Franck Ribéry, porém agora com uma grande mudança: a saída de Miroslav Klose para a Lazio, da Itália fez com que o time ganhasse um meia a mais, no caso, Thomas Müller, jogador que já havia brilhado anteriormente pelo clube bávaro e pela Seleção da Alemanha.
De cara, uma pré-temporada agitada com o vice-campeonato da Copa Audi, disputada em seu próprio estádio, a Allianz Arena, com derrota de 2 a 0 para o Barcelona, até então time do momento. Na sequência, começou a temporada, e o time começava a amadurecer sob o comando de Heynckes. Mas faltava autoridade em jogos importantes, o que pesou nas derrotas para o Borussia Dortmund na Bundesliga e na DFB Pokal, perdendo ambas para o time de Jurgen Klopp. Em contrapartida, o poder de fogo do trio ofensivo, aliados aos gols de Mario Gomez e a solidez defensiva do novo contratado Manuel Neuer, ex-goleiro do rival Schalke 04, e os defensores comandados por Philipp Lahm levaram o Bayern à final da UEFA Champions League após passar com louvor sobre o Real Madrid nos pênaltis e dentro do estádio Santiago Bernabeu, palco da derrota para a Internazionale duas temporadas antes. A final, porém, foi longe do que o roteiro planejava. Jogando em casa, o Bayern cedeu o empate ao Chelsea e fora derrotado nos pênaltis, com cobrança desperdiçada por um dos grandes símbolos dessa equipe, Bastian Schweinsteiger.
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| Didier Drogba convertendo a cobrança que deu o título da UEFA Champions League de 2011/12 para o Chelsea frente ao Bayern em plena Allianz Arena (Foto: ESPN/Reprodução) |
Quem planta, colhe; Bayern campeão de tudo
Após sofrer com os vice-campeonatos em todas as competições disputadas na temporada passada (Bundesliga, DFB Pokal, Copa Audi e UEFA Champions League), a temporada 2012/13 foi importante para o Bayern mostrar aprendizado com os erros cometidos um ano antes. Com um trabalho mais desenvolvido, Heynckes buscou novas peças para melhor adaptação de seu esquema tático. Para a defesa, o zagueiro Dante (€4,7 milhões), que havia feito temporada excepcional no Borussia Mönchengladbach foi contratado; para proteger o meio-de-campo, o espanhol Javi Martínez foi contratado por um preço muito alto (€40 milhões) e para o ataque foi contratado o croata Mario Mandzukic, em negociação envolvendo o também croata Ivica Olic, tranferindo-o para o Wolfsburg e mais €13 milhões.
Com as novas peças, Heynckes deu mais movimentação à equipe, em especial no seu ataque com Mandzukic já despontando com muito mais mobilidade que o antigo dono da posição e àquela época lesionado, Mario Gomez. Na defesa, o alto aproveitamento no jogo aéreo e a soberania nos desarmes de Dante o tornou titular absoluto na quarta zaga bávara, enquanto Javi Martínez, importante nos jogos difíceis e crucial na marcação, colocou o brasileiro Luiz Gustavo no banco. Foi a combinação perfeita! Finalmente o Bayern encontrara seu time ideal, e adicionado à entrada dos três contratados, Kroos ganhou a posição de Robben, deslocando Müller para a direita, o que se tornou um grande trunfo do time de Munique durante toda a temporada.
Com o decorrer dos meses, as peças de reposição também mostraram-se importantes. Sem o zagueiro Badstuber, Boateng cresceu na temporada e se firmou na defesa, além de Arjen Robben, que voltou à titularidade após a lesão de Toni Kroos em partida contra a Juventus. Se dizem que todo mundo merece uma segunda chance, Robben fez por merecer e a aproveitou para marcar o gol do título mais importante de sua carreira, o tento que deu ao Bayern o título da UEFA Champions League frente ao grande rival das últimas temporadas, o Borussia Dortmund. De quebra, o mesmo Bayern desbancou o time amarelo na Bundesliga, tendo a melhor campanha da história e também na DFB Pokal, ao eliminá-los e, na final vencerem o Stuttgart, faturando assim a "Tríplice Coroa" - títulos da Bundesliga, Copa da Alemanha e UEFA Champions League na mesma temporada. Foi a temporada perfeita para o Bayern. Heynckes encontrou a fórmula mágica que fundiu solidez defensiva, no que foi a melhor defesa de toda a história da Bundesliga, um meio-de-campo vertical e muito eficaz no jogo coletivo, boas alternativas de jogo pelas duas laterais, e também uma enorme movimentação ofensiva, que rendeu muitos gols, principalmente com o quarteto Müller, Mandzukic, Pizarro e Gomez. Também não podemos deixar de destacar os líderes nesse time, Phillip Lahm, Franck Ribéry e Bastian Schweinsteiger, este último conseguindo a redenção - mais do que merecida com o título da Champions League.
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| Análise tática do Bayern na partida contra o Borussia Dortmund feita pelo site "Doentes por Futebol". Variação tática entre os três meias é o destaque (Foto: Doentes por Futebol/Reprodução) |
O que esperar do Bayern nas mãos de Pep Guardiola?
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| Elenco do Bayern para a temporada 2013/14, agora liderado por Pep Guardiola (Foto: IG Esportes/Reprodução) |
Antes mesmo de a temporada passada terminar, o Bayern de Munique anunciou que Juup Heynckes se aposentaria e Pep Guardiola o substituiria em 2013/14. Com o técnico catalão, muita coisa pode mudar. A qualidade do toque de bola e alguns homens de confiança, como o espanhol Thiago Alcântara, são algumas novidades. Mas, além disso, poderemos ter novidades táticas. Nos amistosos, Pep já testou diversos esquemas, em especial o 4-1-4-1, com Thiago como primeiro homem de marcação. Tendo em vista o alto número de opções para a meia-cancha, contando também Mario Götze, recém-chegado, montei esquemas táticos que podem ser usados e também encontrei esquemas já montados de maneira bastante interessante.
O 4-2-3-1 que foi utilizado em grande parte da temporada passada pode continuar a acontecer, porém com duas variações. A primeira, com Mandzukic como atacante centralizado e uma linha de três armadores formada por Müller, Götze e Ribéry, com Javi Martínez e Schweinsteiger formando a linha de dois volantes; a segunda, com Müller como "falso nove" e a linha de três armadores formada por Götze, Ribéry e Kroos, ou Robben com a vaga deixada por Mandzukic.

Esquemas táticos do Bayern com e sem Mandzukic. O primeiro retrata o 4-2-3-1 com Müller no meio. O segundo, tem o 4-2-3-1 com Müller de falso nove. De um lado, testando com Robben; de outro, com Kroos, variações diferentes (Foto: this 11/Desenho Tático)
Em outro exemplo, Guardiola pode jogar no 4-3-3 utilizado na época de Barcelona, onde Javi Martínez seria o primeiro volante, e os dois meio-campistas mais avançados seriam Kroos e Schweinsteiger. À frente, Robben e Ribéry seriam os homens abertos pelos lados, enquanto a grande dúvida seria entre Müller e Mandzukic para a vaga de atacante centralizado.
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| Esquema tático montado no blog "Taticamente Falando" no 4-3-3 citado, no exemplo com Müller como atacante de referência (Foto: Blog Taticamente Falando/Desenho Tático) |
Outra opção que pode ser utilizada por Pep é o 4-1-4-1, com Thiago como primeiro volante, e uma linha com quatro à frente dele. Robben, Kroos, Schweinsteiger e Ribéry seriam estes quatro. À frente, uma provável entrada de Müller como "falso 9", com Mandzukic no banco. Em ambos os esquemas, destaca-se a alta frequência de passes na parte ofensiva do campo, além das rápidas jogadas em diagonal, invertendo o lado rapidamente, principalmente com os laterais Lahm e Alaba.
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| Desenho do 4-1-4-1 também feito pelo blog "Taticamente Falando", mais uma vez com Müller como atacante de referência (Foto: Blog Taticamente Falando/Desenho Tático) |
Os destaques
| (Foto: Zimbio/Reprodução) |
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| (Foto: Bundesliga/Reprodução) |
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| (Foto: The Guardian/Reprodução) |
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| (Foto: Zimbio/Reprodução) |
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| (Foto: Caught Offside/Reprodução) |
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| (Foto: Tumblr) |
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| (Foto: Trivela/Reprodução) |
As caras novas
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| (Foto: FC Bayern/Divulgação) |
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| (Foto: Goal.com) |














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