O momento é de destaque e euforia a Messi, que acabou de quebrar (mais um) recorde em sua carreira. Porém, outra coisa chama a atenção, ainda que com um enfoque menor e mais tímido, por parte da mídia e dos demais acompanhantes de futebol. Embora não seja um recordista nato, tampouco um dos reais candidatos ao ambicioso prêmio de melhor jogador do mundo neste ano, Neymar vai, a cada semana, deixando para trás a alcunha de coadjuvante no time mais popular da Catalunha.
Há algum tempo, questiona-se muito sobre até onde vai a fronteira entre o Neymar promessa e o Neymar realidade. Essa barreira vem se rompendo a cada partida, e é interessante observar o quanto o camisa 11 do Barcelona muda - e deve seguir mudando - sua maneira de jogar, em prol do time e dele mesmo. E essa mudança não se dá apenas em aspectos quantitativos, mas também de maneira qualitativa, ainda que quantidade e qualidade no futebol estejam, em diversos aspectos, interligados. Nesta temporada, Neymar já marcou, pelo seu clube, 13 gols em 15 jogos disputados. Em 2013/14, foram apenas 4 tentos nas primeiras 15 partidas do ano futebolístico disputado.
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| A parceria entre Messi e Neymar pode ir muito além do apoio recíproco? (Foto: FC Barcelona/Reprodução) |
E a evolução vai muito além dos gols. Quando chegou ao Camp Nou, Neymar era um jogador mais tímido, haja vista o pouco entrosamento com o time, dentre outros fatores que ainda não o puseram na mesma condição que viera do Santos. No entanto, a capacidade de assistente apresentada no início da temporada 2013/14 impressionou. Em seus primeiros 15 jogos do último ano de futebol europeu, foram 7 assistências dadas. Não que a visão de jogo de Neymar fosse novidade, mas a bola da vez era a frequência com que o lado armador dele veio à tona. O fato é que a maneira com que o atacante brasileiro se reinventou o colocou ao lado de Messi como um jogador fundamental para uma grande parceria.
Com o fim da temporada 2013/14, o Barcelona não vivia um de seus melhores momentos, mas deixava como legado a esperança na dupla de ataque que, ainda de maneira ligeira, mostrou resquícios do seu alto potencial destrutivo. E o ano seguinte não é decepcionante, ao menos não em seus primeiros meses. Neymar voa alto, mais uma vez se transformando e se redescobrindo. Ao lado de Messi, virou influência nos gols marcados pelo Barcelona na temporada, e transformou-se num semi-protagonista ao aparecer em frequentes listas junto ao destaque principal do time nos gols marcados em diversas partidas em 2014/15. E a perspectiva é de um ano recorde para Neymar (essa qualidade não é única do baixinho argentino!). Em seus 11 primeiros jogos na Liga Espanhola, 11 gols marcados. Mais do que havia marcado em toda a temporada passada (9 gols em 26 jogos). Na famigerada Champions League, Neymar já deixou sua marca duas vezes (4 jogos), e a tendência é que seu nome brilhe nos holofotes cada dia mais. No somatório, o atacante ex-Santos tem apenas 1 gol a menos que o craque Lionel nesta temporada: 14 a 13. Nada mal.
Depois de tanta baboseira e estatísticas por todos os lados, concluo o que quero dizer. Um dia o rei abdica ao trono, e um novo descendente surge. Neymar já está fazendo seu nome, e mesmo que este não tenha demonstrado interesse em faturar a almejada Bola de Ouro, o prêmio se torna a cada dia mais apalpável. A melhora de rendimento no Barcelona é algo natural e até mesmo previsível, algo justificado enorme potencial deste atleta, e sonhar com coisas superiores não é nada absurdo. Hoje, o topo do mundo é inalcançável, mas, como diriam os deuses do futebol, este esporte é uma caixa de surpresas. Vale a pena esperar, especialmente se o lado patriota do leitor falar mais alto.


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