A Premier League é um campeonato que sempre reserva surpresas aos seus espectadores, e isto já não é nenhuma novidade. Nesta temporada, o que surpreende é a quantidade plural de equipes que encantam - além de outras que decepcionam - o fã de futebol na Terra da Rainha. Um caso especial é o do já conhecido West Ham, que deixou de ser apenas um dos times mais "rudes" de Londres para se tornar, ao menos à primeira vista, um exemplo de muito serviço e futebol bem jogado.
Nos últimos anos, cultivou-se a ideia de que o West Ham, bem como o Stoke e times de divisões inferiores na Inglaterra dotavam-se de um jeito rústico e antigo de jogar futebol. E, de certo ponto, não era mentira. Os famosos "balõezinhos" e o futebol dependente de força física e bolas aéreas dominou o Upton Park nos últimos anos, especialmente após a chegada do treinador Sam Allardyce, em 2011.
A história, porém, vem se alterando. O time que, na última temporada, teve uma campanha fraca e lutou contra o rebaixamento em certos períodos do ano, agora apresenta uma situação muito diferente. E o que mudou a postura da equipe foi uma medida pouco imaginada em outras partes do planeta - bem como no Brasil -, contendo uma boa dose de paciência. Com a mudança de temporada, o futebol do West Ham mudou, o treinador não. E o clube foi mais além: manteve a base do elenco de 2013-14 para adentrar em 2014-15 com reforços que, de primeiro momento, pudessem apenas acrescentar qualidades ao grupo do último ano.
As novas peças e o "novo" West Ham
O semestre pós-Copa do Mundo se iniciou com mudanças bastante significativas no Upton Park, talvez em uma escala que nem mesmo o técnico Allardyce pudesse imaginar. Na janela de verão, contratações pontuais chegaram, com destaque ao olhar crítico e visionário da diretoria dos Hammers. Jogadores com pouco destaque assinaram, além de duas exceções nesta característica: o atacante Enner Valencia, que marcou 3 gols na Copa do Mundo deste ano e o badalado volante camaronês Alex Song, pouco utilizado no Barcelona, e que acabou emprestado ao clube de Londres por uma temporada.
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| Enner Valencia chegou ao West Ham após bela Copa do Mundo pela seleção equatoriana (Foto: Andes Info/Reprodução) |
Outros nomes poucos visados no futebol europeu assinaram e ganharam espaço notório no West Ham. Os laterais Jenkinson (reserva de Sagna no Arsenal) e Creswell, que jogou em todas as partidas do Ipswich Town na última Championship (segunda divisão inglesa) ganharam vaga de titular, assim como o versátil volante Kouyaté, ex-jogador do Anderlecht, clube hegemônico no futebol belga há alguns anos. No ataque, talvez tenha pintado o jogador mais imprevisível dentre os recém-chegados. Vindo do Metz, que estava na segunda divisão francesa, Diafra Sakho chegou a Londres para se tornar o - até aqui - artilheiro do clube nesta Premier League, com 7 gols marcados.
Com os novos jogadores, um novo time surgiu. Apresentando aos seus torcedores e aos demais espectadores um jeito diferente e moderno de jogar futebol, o time do leste londrino mostrou ao público um desempenho empolgante e louvável aos olhos de quem o assistisse. Aliado ao fator de jogadores da "velha guarda" do técnico Allardyce iniciarem a temporada no departamento médico, os novatos tiveram, logo de cara, a oportunidade de figurarem entre os titulares e apresentar serviço ao novo chefe. E a oportunidade veio a calhar. Contando partidas de Premier League de setembro até o natal, o West Ham perdeu apenas 2 de 14 disputadas.
| Kouyaté, Enner Valencia e Sakho. Três dos bons nomes que chegaram na janela de verão para contribuir com o "novo" West Ham |
A melhora do clube de Upton Park não se resume apenas a estatísticas. Com os novos reforços, Allardyce teve liberdade e propriedade para variar esquemas táticos durante as partidas, indo do 4-3-3 tradicional ao 5-3-2 com, praticamente, as mesmas peças. Passando da parte tática ao estilo de jogo, outras coisas mudaram. Com os novos reforços, o time começou a jogar mais com a bola no chão, diminuindo a frequência do jogo aéreo ofensivo, muito disso também creditado à ausência de Andy Carroll no início da campanha. Sem o camisa 9, a trama ofensiva dos Hammers também ganhou um toque mais veloz, com a dupla Valencia e Sakho trabalhando bem logo no início da parceria. Nas laterais, houve um "rejuvenescimento", com as entradas de Jenkinson e Creswell como titulares, colocando os experientes Demel e O'Brien no banco. E, fechando a descritiva, é necessário ressaltar a entrada de Kouyaté na meia-cancha, especialmente após a saída de Diamé para o Hull City. O ex-volante/zagueiro/faz tudo do Anderlecht repôs à altura o porte físico e a saída qualificada ao ataque que o West Ham havia perdido vendendo Diamé ao Hull.
Vem para ficar?
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| Talvez o grande nome do West Ham nesta temporada, Downing alia um pouco do jeito antigo dos Hammers com a nova e versátil maneira do time de jogar. É, também, o líder de assistências do clube neste 1º turno: são 6 passes para gol até a 18ª rodada (Foto: Zimbio) |
O "Boxing Day" se passou, e o West Ham ainda está no páreo, brigando com o Southampton para ver quem encerrará o 1º turno da Premier League como a quarta força do campeonato. É verdade que não é, nem de longe, o que os torcedores imaginavam para o clube londrino no meio deste ano, mas a boa fase faz com que a torcida sempre espere mais do time. E a grande questão é realmente esta. Até onde pode chegar esse bom momento dos Hammers? A série intensa de jogos agora, bem como a chegada da FA Cup, em vista da mesclagem de jogadores na Premier League, podem afetar o desempenho do clube no segundo turno? São questões que o treinador Sam Allardyce terá de resolver, contando também com a parte física de seus jogadores e, é claro, com a boa e velha sorte.
Fechando o assunto, é com enorme justiça que o professor Allardyce merece uma salva de palmas sua, leitor! Aliás, uma salva ainda é pouco. Para quem era cotado a ser demitido há pouco menos de um ano, e, olhando um pouco mais para trás, pegou o West Ham na segunda divisão, figurar entre os melhores clubes do país hoje é, praticamente, um prêmio individual. Muito se questionou sobre como o time ajustaria os antigos jogadores com os novos reforços, e o treinador mostrou que é possível unir estilos diferentes de jogo, com atletas de características diferentes. Para o bem do futebol, que sempre delicia os fãs com surpresas e "triunfos" de times desfavorecidos, é bem legal ver o time de Upton Park - e, a partir de 2016, do Estádio Olímpico de Londres - dando dor de cabeça aos times mais badalados da Terra da Rainha. E que continue assim.



aplaudindo o professor allardyce e o jornalista matheus eduardo
ResponderExcluirNão acompanho muito a Premier League confesso, mas é muito legal ver um clube como o West Ham se destacando assim. Resta torcer para que esse destaque permaneça até o final do campeonato, caso contrário não iremos lembrar disso e talvez o trabalho que o treinador vem fazendo hoje possa ser esquecido (Não sei como é a torcida do West mas no Brasil isso facilmente aconteceria.). Ótimo texto!
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