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| Dunga está de volta à seleção após quatro anos fora. No comando da amarelinha, ele já venceu a Copa América e a Copa das Confederações (Foto: André Durão/Globoesporte.com) |
Desde o fatídico 7 a 1, algumas coisas (finalmente)
entraram em discussão no que se refere ao futebol brasileiro, dentro e fora das
quatro linhas. Outras, já questionadas antes do “Ôeá”, ganharam uma dimensão
meteórica ao fim da Copa do Mundo. No entanto, a grande surpresa, ao menos até
aqui, veio de onde mais se cobra mudanças e melhorias até hoje: a CBF.
Muito comentada e, principalmente, criticada pelos
brasileiros após o vexame na Copa, a Confederação Brasileira de Futebol
precisou se mexer, e não hesitou. O povo pedia Tite, Marín deu Dunga. Criou-se
um ambiente contraditório à CBF por parte dos acompanhantes do futebol
brasileiro. Espalhou-se um discurso de total retrocesso futebolístico e falta
de respeito ao torcedor local, entre outras desavenças que colocaram em dúvida
a credibilidade que o serviço do novo treinador poderia trazer.
De fato, a CBF não é flor que se cheire, e isso não é
novidade. No entanto, há de se elogiar que, em meio a um momento tão
turbulento, a entidade tenha tomado uma decisão sensata em um comunicado de
aparente insensatez. Naquele 22 de julho de 2014, poucos poderiam imaginar que,
em tão pouco tempo, o mesmo treinador que confundiria esquemas táticos das
equipes onde seus selecionados jogam seria capaz de montar um time competitivo
e seguro, ao ponto de manter 100% de aproveitamento após oito meses no comando.
Oito também foram as partidas disputadas pela seleção desde o retorno de Dunga,
com apenas dois gols sofridos.
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| Dunga ao lado de Gilmar Rinaldi, José Maria Marín, Marco Polo Del Nero e Alexandre Gallo. Treinador chegou confiante: "Minha meta é mudar a maneira das pessoas pensarem a meu respeito" (Foto: André Durão/Globoesporte,com) |
Ainda relacionando-se a números, é interessante
relacionar a efetividade de Dunga com as atuais críticas à seleção. Durante a
Copa, o Brasil sofreu gol em 6 das 7 partidas que disputou. Desde o 3 a 0
sofrido contra a Holanda, no último jogo de Felipão, o Brasil só levou gol em
duas partidas, e nunca levando mais de um. Dentre os fatores que mudaram, vale
ressaltar a resguarda do time atual, jogando “à europeia”, no 4-4-2 sem bola.
Que isso deu resultado, não há dúvida, mas ainda existem questionamentos.
Embora passe por um perceptível processo de adaptação,
Dunga ainda tem alguns desafios e cobranças. Dentre as questões que ainda
precisam ser resolvidas pelo ex-técnico do Internacional, está a de superar a
ideia do “joga bonito”, agora com um planejamento muito mais voltado ao
resultado do que à estética do futebol em si. Nas últimas partidas sob o
comando do treinador gaúcho, é notória a mudança no estilo de jogo, com jogadas
sendo concluídas em poucos toques. Além disso, há também a expectativa para a
disputa de sua primeira competição pela seleção desde que saíra do cargo, ainda
em 2010, após a eliminação para a Holanda na Copa do Mundo daquele ano. Ainda
que tenha um bom retrospecto contra seleções que disputarão a Copa América
deste ano desde que retornara ao cargo (4 jogos e 4 vitórias, contra Argentina,
Equador, Colômbia e Chile), existe a cobrança para que a seleção e,
especialmente, Neymar, melhorem e apresentem atuações mais convincentes, sem
apresentar tantas dificuldades.
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| Neymar e Dunga vão muito bem desde a entrada do técnico gaúcho na seleção. O treinador nascido em Ijaí perdeu apenas seis dos 68 jogos que comandou pelo Brasil. Neymar tem excelentes 8 gols em 8 partidas pela seleção sob o comando de Dunga. No entanto, números contra seleções latino-americanas são alerta: 4 jogos e apenas um gol marcado, de falta, contra a Colômbia (Foto: Agência AP) |
O tempo passa rápido, e a próxima e definitiva
convocação, agora com a lista para a Copa América, se avizinha. Em maio, mais
precisamente no dia 5, serão conhecidos os 23 atletas que irão ao Chile buscar
mais um troféu para a seleção brasileira. Para Dunga, muito mais do que isso. É
a hora para se afirmar e conseguir a tão almejada tolerância do torcedor
brasileiro para com ele e seu trabalho, muito competente até aqui. O futebol
sempre reserva surpresas, e a estabilidade da seleção em sua “nova era” é uma
delas. Que chegue para ficar!



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