Acima de todos os tropeços: para sempre Steven Gerrard!



24 de maio de 2015. Uma das datas mais difíceis de vivenciar para qualquer torcedor do Liverpool. Nesse dia, nem mesmo a acachapante goleada de 6 a 1, sofrida frente ao Stoke City, conseguiu superar a dor aguda de um adeus. Mais do que uma simples despedida, a peleja marcava o fim de uma era, repleta de glórias e revezes, de um ícone perante sua (fiel) plateia.

Há algum tempo, questiona-se a ausência de jogadores que valorizam a lealdade ao seu clube formador, conhecidos como "jogadores de um só clube". Embora se aposente com um número plural de times defendidos na carreira, Steven George Gerrard integra o seleto grupo citado no início deste parágrafo. Ao menos na compreensão dos seus admiradores. Dezessete anos representando os Reds: várias partidas, gols, títulos, e até algumas decepções. Antes que possamos perceber, relacionamos os nomes "Gerrard" e "Liverpool" quase de maneira instantânea.

Como já citado no parágrafo anterior, o matrimônio entre jogador e clube começou há um bom tempo, mais precisamente em 1998. Era 29 de novembro, e o Liverpool derrotou o Blackburn Rovers por 2 a 0. Gerrard jogou apenas um minuto, substituindo o lateral-direito Vegard Heggem. O suficiente para escrever a página inicial de sua grandiosa história em Anfield Road. Ali, a até então jovem promessa inglesa - que já sonhava em, um dia, capitanear seu clube -, sequer poderia imaginar o legado que deixaria para os Reds e, também, para o futebol britânico num todo.

Gerrard em 1998, quando estreava contra o Blackburn, numa vitória por 2 a 0. Ali, ele jogou apenas um minuto (Foto: Reprodução/Twitter)


O tempo passou, e o sonho de liderar o time vermelho da cidade dos Beatles se realizou de maneira natural. Cercado de ídolos recentes do clube, Stevie viu a sucessão de lendas chegar às suas mãos, de maneira concreta, quando recebeu a braçadeira de capitão de Sami Hyypiä, ainda em 2003. Mais que uma passagem de bastão, o presságio para a consagração máxima. Istambul serviu para mostrar ao mundo que o Liverpool nunca caminha sozinho. Gerrard fez parte da festa, e deixou sua marca no empate histórico que, aos trancos e barrancos (tendo o capitão como lateral-direito na prorrogação), deu ao time de Merseyside a quinta e, até hoje, última conquista do torneio de clubes mais cobiçado da Europa.

Mais do que o transformar em um ícone clubístico, o potencial de Gerrard fez com que o rapaz nascido em Whiston, cidade com população próxima a 15 mil habitantes, chegasse ao patamar caótico das comparações. Contemporâneo de exímios centrocampistas britânicos, o eterno "8" do Liverpool era, semanalmente, equiparado a vários adversários de Premier League, os quais, em sua maioria, tinham um diferencial que ele nunca sentiu o gosto de obter. A conquista da liga nacional nunca esteve nas mãos de Stevie, embora tenha escapado num sutil, mas letal escorregão. Pior para a competição, que vai sentir mais falta do capitão vermelho do que ele, provavelmente, sentirá dela. Tal lamentação (infame, até certo ponto), muitas vezes, é mais importante para alimentar tabloides do que, realmente, salientar a real importância que representou Gerrard durante tantos anos de serviços prestados ao esporte bretão, diretamente de seu país de origem. E nisso, não há Lampard, Scholes ou Beckham que discorde.

Gerrard, o último remanescente do momento áureo do Liverpool neste século, agora deixa o clube. Além de marcar o fim de uma época, representa a passagem de bastão: Jordan Henderson terá um duro trabalho pela frente (Foto: Reprodução/Twitter)


Os anos vão se passar, e Gerrard, como toda boa lenda, será lembrado com histórias sendo contadas sobre ele por várias gerações. Mais do que guardar seu nome por épocas e para fãs de maneira global, está a importância dele para o seu clube formador, certamente o que está mais marcado em seu coração. Não mais do que o nome dele no coração dos torcedores (fanáticos) do time de Anfield. Alguns lembrarão de Stevie pelo escorregão, o "fracassar" relativo em não ter a medalha da Premier League ou, até mesmo, como o jogador que poderia ter sido muito mais do que foi, caso tivesse se transferido para um time mais midiático e, consequentemente, mais forte. Entretanto, mais do que tudo, Gerrard será para sempre lembrado, por cada torcedor dos Reds, como o campeão do maior de todos os torneios. Stevie G conquistou, para sempre, o respeito e a admiração de cada ser apaixonado pelo clube de Anfield, do que vivia sua rotina nos estádios e pubs ingleses ao que, mesmo do outro lado do mundo, se sacrificava (com prazer), acordando cedo para ver o time scouser em ação. Em cada um deles, uma certeza em comum. Estando em Liverpool, Los Angeles ou qualquer outro canto do mundo, o eterno camisa 8 vermelho não deixará, jamais, o torcedor do Liverpool caminhar e, muito menos, se sentir sozinho.







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