Road to Berlim: Neymar vai à final em busca de mais uma superação

(Foto: Agência PA/Reprodução)


Geralmente, é bem empolgante acompanhar a trajetória dos jogadores brasileiros no badalado futebol europeu. Um caso em especial, principalmente considerando o contexto atual em que se encaixa o esporte mais popular em terras tupiniquins, chama a atenção. Talento, movimentos, liberdade, objetividade, ousadia. Neymar tem tudo isso, e muito mais. Muito mais a ser explorado e, é claro, potencializado no Velho Continente.

Embora bastante identificado com o Santos, o atacante mais promissor do futebol brasileiro nos últimos anos teve sua ida para o Barcelona de maneira inevitável, ainda que bastante adiável. O primeiro contato com os catalães havia sido na vexatória derrota no Japão, em 2011, onde o brasileiro, pela segunda vez, viu Lionel Messi marcar e decidir uma partida decisiva de dentro do gramado - a primeira havia sido em um amistoso entre Brasil e Argentina em 2010, no qual o 10 argentino marcou no último minuto e selou a vitória dos hermanos frente à seleção amarelinha.

Desde o encontro entre Barcelona e Neymar, em dezembro de 2011, na dominante atuação culé e vitória tranquila por 4 a 0, a relação entre o clube catalão e o astro brasileiro se intensificou. Um ano e meio depois, o camisa 11 vestiria a camisa do Barça, oficialmente como novo contratado. Dali em diante, uma chuva de expectativas e curiosidades. Por parte dos brasileiros, especialmente, a esperança de ver outro atacante nativo brilhar em território europeu. Por parte dos espanhóis, a esperança de encontrar um parceiro (finalmente) ideal para Messi. No fim das contas, todos precisaram esperar um pouco.

Novidade, badalação, timidez. Tudo o que já era esperado cercou Neymar em seus primeiros meses com o uniforme blaugrana. Em 2013-14, não só ele, mas todo o time do Barcelona passou por um intenso processo de adaptação ao novo comando - com Tata Martino, recém chegado do Newell's Old Boys -, o que influenciou bastante em seu desempenho durante o primeiro ano no Camp Nou. Muitos jogos, poucos gols, uma boa cota de assistências (especialmente para Messi), e um estilo de jogo ainda abaixo do esperado, em meio a uma temporada fraca do time num todo, ao menos em comparação às expectativas da equipe. Além disso, a tão esperada aliança entre o brasileiro e o argentino quatro vezes melhor do mundo pouco foi vista na primeira temporada com os dois no time mais popular da Catalunha; os jogos mais destacáveis de Neymar naqueles meses foram, curiosamente, no período coincidente com a lesão de Messi. Ali, o 11 brasileiro se destacou, chegou a jogar até como "falso nove", e teve o nome nos holofotes com um hat-trick frente ao Celtic, na Liga dos Campeões da Uefa de 13/14.

Um novo ano chegou, e com ele, a confirmação de todas as expectativas. Sem Tata Martino, e passado o vexame do 7 a 1 - no qual Neymar sequer esteve em campo -, um novo time se rascunhava. Tendo os destaques brasileiro e argentino no comando de ataque como referências, o novo técnico, Luis Enrique, começava um trabalho que geraria resultados absurdos em poucos meses. Além da dupla já utilizada na temporada anterior, a chegada de Luis Suárez, vencedor da Chuteira de Ouro do último ano de futebol europeu com a camisa do Liverpool, acrescentou qualidades ao setor ofensivo do time catalão. Também em estado de transição, Lucho sofreu para encontrar um esquema em que o Barcelona pudesse passar, dentro de campo, a superioridade ofensiva que apresentava no papel. A missão não foi fácil, e durante todas as "fases" que o time passou durante esta temporada, Neymar se mostrou essencial. Não à toa, desde agosto, o brasileiro quase sempre esteve frequente entre os artilheiros do time e, em alguns momentos, chegou a estar à frente de Messi no quesito.

Com o passar dos meses, a entrada de Suárez no time e a estabilidade de Luis Enrique fizeram com que o Barcelona chegasse, por consequência, ao auge da eficiência de sua trama ofensiva, o popular "MSN" (Messi, Suárez, Neymar), especialmente de fevereiro até junho deste ano. Nessa época da temporada, os gols saíram com maior frequência, e o repertório de jogadas ofensivas e assistências de um integrante do ataque para outro culminaram em uma série ótima de resultados (30 vitórias em 34 jogos, desde o dia 8 de janeiro). A evolução do Barcelona bateu diretamente em Neymar, extremamente beneficiado com o novo sistema de jogo culé. Se na temporada passada o brasileiro era responsável por assistir Messi, agora a situação se inverte em vários momentos. Foram diversos os gols em que o ex-atacante do Santos marcou após lançamentos e inversões de jogo do argentino. Além disso, Suárez também foi responsável por várias assistências para gols do atacante tupiniquim. Não por acaso que, contando jogadores das cinco grandes ligas da Europa (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França), Neymar é o jogador com mais gols na temporada, contando todas as competições e jogos oficiais, depois de Cristiano Ronaldo e Messi.

Neymar e o trio MSN, fundamental na grande campanha do Barcelona, finalista da UEFA Champions League desta temporada (Foto: UOL/Reprodução)


Buscando e quebrando recordes

Neste sábado, o Barcelona fará sua atuação derradeira na temporada buscando fechá-la com chave de ouro. O clube tem a chance de vencer, pela segunda vez em sua história, a tripleta (títulos de Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Liga dos Campeões no mesmo ano). Para isso, os catalães precisarão passar pela Juventus, e terão à disposição o trio MSN, com Neymar no auge de sua forma física e técnica. Além disso, o brasileiro entra em campo disposto a quebrar marcas. Artilheiro da temporada entre os "terrestres" - como explicado anteriormente, só Cristiano Ronaldo (61) e Messi (58) somam mais tentos que ele no ano de futebol europeu -, o brasileiro tem, até aqui, 38 gols marcados. Pouco tempo atrás, o mesmo Neymar ultrapassou ícones com a camisa culé: ao somar, até aqui, 53 gols (91 jogos) pelo Barça, o camisa 11 já deixou para trás Ronaldo (47 gols em 49 jogos), Romário (39 gols em 65 jogos) e Maradona (38 gols em 58 jogos). Na final de Berlim, o camisa 11 do Barcelona pode igualar e, até mesmo, ultrapassar Messi como o artilheiro desta edição da Liga dos Campeões da Uefa: o argentino tem 10 gols na competição, enquanto o brasileiro já empurrou nove bolas para as redes no mesmo campeonato.

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