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| Foto: Real Madrid CF/Reprodução |
Desde 2013, Diego Simeone tem mostrado ao mundo que o Atlético de Madrid é capaz de rivalizar com os dois times mais fortes do país, especialmente o arquirrival da cidade. Porém, a história e o panorama na eliminatória contra o Real Madrid não mostraram nada dessa evolução gradativa. Não na ida dentro do Bernabéu, diante de um adversário muito produtivo, altamente forte em aspectos coletivos e com Cristiano Ronaldo capaz de decidir tudo.
Sinônimo de uma defesa sólida, coesa e de poucos erros, somada aos ferozes contragolpes, o que se viu do Atlético de Madrid na partida de ida das semifinais desta Liga dos Campeões foi exatamente o contrário disso. Diante de um Real Madrid impecável coletivamente, os rojiblancos passaram a impressão de que mal sabiam jogar com a bola em seus pés, enquanto os comandados de Zinédine Zidane estavam no outro extremo, no que foi, certamente, a melhor atuação da temporada.
Sem o galês Gareth Bale, lesionado, Zidane optou por Isco em sua vaga, e mudou o sistema de jogo. Antes apostando na trinca de meio-campistas, desta vez preferiu um quarteto, com o meia espanhol à frente de Modric e Kroos em um 4-3-1-2, armando o jogo e ocupando os espaços vazios por dentro e pelos lados. A ideia fortaleceu o plano merengue de ter posse de bola, agressividade, e ser muito veloz nas transições ofensivas, com Luka Modric genial ao conduzir a bola e levar o time à frente, e Toni Kroos passando com total maestria, tendo total facilidade em encontrar os companheiros abertos nas laterais. Foi fatal para o Atleti.
Do outro lado, Diego Simeone e seu imutável 4-4-2 - agora debilitado, sem os dois laterais-direitos, machucados, e o zagueiro Lucas Hernández improvisado ali - sofreram muito com a rápida troca de passes e movimentos do Real Madrid. Um inferno para os meio-campistas e laterais colchoneros: Filipe Luis, que poderia ser a válvula de escape à esquerda, foi, gradativamente, travado e acoado pelas ações ofensivas do rival. Na criação, Koke tentou recuar e fazer a saída de bola mais próxima dos zagueiros, mas se viu sufocado pela falta de espaços para jogar. Recém-recuperado de lesão, Carrasco sentiu o peso da partida e o físico não o deixou correr em campo por mais de 60 minutos. E as qualidades individuais do time foram minadas à medida que o relógio dava mais voltas em seus ponteiros. Na situação adversa e com o time coletivamente apático, criando pouco - em 90 minutos, apenas uma finalização a gol, num fraco cabeceio de fora da área de Godín - e se defendendo mal, até mesmo os destaques Godín (protegendo) e Griezmann (atacando) decaíram muito.
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| Desenho das duas equipes no primeiro tempo: Isco à frente dos meio-campistas foi a grande surpresa, liberando Cristiano Ronaldo e Benzema (Tactical Pad/André Rocha) |
Com o plano funcionando em sua plenitude, bastou insistência e sorte para o Real Madrid abrir o placar com Cristiano Ronaldo, após duas tentativas de cruzamento para ele na área - e a segunda feita de maneira não proposital com Casemiro. O volante brasileiro também deu aos outros três meio-campistas a liberdade para saírem em velocidade e orquestrarem tudo: Benzema e Cristiano Ronaldo aproveitaram-se disso e dominaram a defesa rival. No segundo gol, o centroavante francês bate Godín na proteção com o corpo, Filipe Luis falha e o artilheiro português aparece para acertar um chutaço e marcar o segundo no jogo. E o terceiro viria em outro vacilo da defesa, já no segundo tempo, com o Atlético ainda mais desgastado e abatido, mas não menos imperfeito. Cristiano Ronaldo passa para Lucas Vázquez e, enquanto o ponta espanhol dispara pela direita, CR7 se desloca até a área e - em como todo o jogo -, passa despercebido por Savic e aparece, sozinho, para acertar o gol mais uma vez. Outro hat-trick no Bernabéu em fase de mata-mata da Liga dos Campeões, diante de um adversário temido.
Após o 3 a 0, o que se viu foi um Real Madrid cada vez mais convicto que venceria e poderia marcar ainda mais gols. Com Cristiano Ronaldo como centroavante fixo, e a troca de Benzema e Isco pelos imparáveis Vázquez e Asensio abertos no 4-1-4-1/4-3-3, o conjunto branco só não fez mais por falta de capricho na finalização. O Atlético, já desmantelado física, tática e psicologicamente, ainda tentou contra-atacar com o habilidoso Correa, mas faltou volume de jogo e criação para furar a impecável dupla de zaga rival, com Varane e Sergio Ramos em dia mais que inspirado. Com tamanha soberania merengue no primeiro jogo, a "remontada" atleticana na volta se torna algo muito improvável, e só será possível com todo o espírito de luta e superação já mostrado por essa equipe em seus momentos áureos, o que não acontece agora. No resumo da ópera, a melhor partida do time de Zidane na temporada contrastou com uma das piores do Atleti, diante do maior rival, nos últimos anos.
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| O 4-3-3 do Real Madrid no fim do jogo: Asensio e Vázquez pelas pontas facilitaram todo o tipo de contragolpe diante de um abatido Atlético na reta final do jogo (Lineup Builder) |
Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Nessa noite, o Real Madrid pôde tudo, mandou, fez o Atlético - que teve juízo, mas não possuiu força - lhe obedecer, e deu a Cristiano Ronaldo tudo o que ele necessitava para mostrar que, mesmo numa temporada abaixo da sua média espetacular, sempre estará ali. Agora, cada vez mais rei na Liga dos Campeões e nos momentos decisivos, a quinta Bola de Ouro do português se torna um destino praticamente inevitável.



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